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Reino Unido sai da recessão com crescimento de 0,6%

Resumo:

  • A economia do Reino Unido cresceu 0,6% no primeiro trimestre, superando as previsões dos economistas e sinalizando uma recuperação da recessão;
  • Enquanto o setor da produção cresceu 0,8%, o setor da construção contraiu 0,9%, apresentando uma recuperação desigual;
  • Apesar dos sinais positivos, persistem desafios como a incerteza política e a inflação persistente, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação.

Numa reviravolta surpreendente, a economia do Reino Unido conseguiu emergir da sua recente recessão, com o produto interno bruto (PIB) a aumentar 0,6% no primeiro trimestre do ano, segundo dados oficiais divulgados na sexta-feira. Esta evolução superou as expectativas dos economistas, que projetavam um crescimento mais modesto de 0,4%. A recuperação sinaliza uma potencial reviravolta para a economia, que entrou numa recessão superficial no segundo semestre de 2023, impulsionada principalmente pelas contínuas pressões inflacionistas.

Setores do Reino Unido mostram recuperação desigual: produção aumenta 0,8%

O desempenho nos diferentes setores da economia foi misto, lançando luz sobre a trajetória de recuperação desigual. O setor produtivo apresentou expansão robusta de 0,8% de janeiro a março, superando outras áreas. Por outro lado, o setor da construção registou uma contração, diminuindo 0,9% durante o mesmo período. Numa base mensal, a economia demonstrou resiliência com um crescimento de 0,4% em março, após uma expansão de 0,2% em fevereiro.

Em especial, o setor dos serviços, que é crucial para a saúde econômica do Reino Unido, cresceu pela primeira vez desde o início de 2023. Este crescimento foi em grande parte impulsionado pela indústria de serviços de transporte, que atingiu a sua maior taxa de crescimento trimestral desde 2020, marcando um aumento de 0,7%. Este ressurgimento do setor dos serviços é um indicador significativo de recuperação, considerando a sua extensa contribuição para o PIB nacional.

Perspectivas políticas e econômicas

As notícias econômicas positivas foram recebidas com otimismo pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, que observou que a economia “virou uma esquina”. Isto surge num momento crucial para Sunak, cujo Partido Conservador enfrentou reveses significativos nas recentes eleições locais. No entanto, nem todas as respostas foram igualmente confiantes. Suren Thiru, diretor econômico do ICAEW, expressou uma perspetiva mais cautelosa, sugerindo que a recuperação poderá ser de curta duração devido à incerteza política e às eleições gerais iminentes no final deste ano. Thiru descreveu a fuga à recessão como uma “vitória vazia”, apontando para questões subjacentes, como a fraca produtividade e a elevada inatividade econômica, que continuam a limitar o potencial de crescimento.

Além disso, o Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra destacou recentemente preocupações persistentes com a inflação, optando por manter a taxa de juro principal em 5,25%. Embora o banco central preveja que a inflação global se mantenha perto de 2% no curto prazo, também espera uma ligeira subida no final do ano, à medida que o impacto das recentes descidas nos preços da energia começar a diminuir.

A saída do Reino Unido da recessão é, sem dúvida, um desenvolvimento positivo, mas o caminho a seguir continua repleto de desafios. À medida que o país navega através de transições políticas e flutuações econômicas, irá testar a verdadeira resiliência da sua economia. Os próximos meses determinarão de forma crítica se será possível sustentar esta recuperação no meio das contínuas pressões econômicas e das incertezas geopolíticas.



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